“Algumas pessoas tem dificuldades para apreciar as coisas pequenas da vida, que lhe trazem os raros momentos de felicidade. Outras, acham difícil encontrar a beleza em uma melodia calma, ou em complexos solos de guitarra. Umas não compreendem o significado da palavra amor. Outras, não acreditam em destino ou em almas gêmeas. Algumas não sabem o que é se iludir, enquanto outras, vivem de ilusões.
Mas existem aquelas, que são otimistas. Aquelas que pensam que, se deu errado agora, vai dar certo depois. Aquelas que não se deixam abater pelos problemas, e conservam sempre um sorriso em seus lábios. Aquelas que não se importam em ser infelizes, para poder proporcionar felicidade nos outros. Aquelas que acreditam fielmente que todo mundo tem algo de bom.
Eu, não sou uma dessas pessoas. Sou contraditória, inconstante, insegura. Sei enxergar os bons momentos e aproveitá-los, mas não sou feliz. Sinto sentimentos em cada nota tocada em um piano, mas não sei o que é o amor. Não acredito em destino, mas acredito em sorte ou azar. Vivo de ilusões, mas sei que elas são apenas frutos de um mente solitária.
E também sei que o tempo é como uma bomba relógio. Em um segundo, pode estar tudo na perfeita paz, e no seguinte, pode ter se transformado em um pesadelo. Observo, não participo da ação. Mas estou sempre lá, presente quando o céu vira inferno, quando o amor vira ódio, quando a felicidade vira uma mentira.
E é por isso que estou tentando me proteger. Não quero amar, porque assim não vou sofrer. Não quero ser boa, porque posso ser humilhada. Não quero ser fiel, pra não correr o risco de ser traída. Não quero agir, porque posso sair ferida.
Mas ao mesmo tempo, quero tudo isso. Quero correr o risco. Quero viver, me decepcionar, me reerguer e começar de novo. Mas não vou me render. Porque o amor não existe. E acho que no fundo, todos nós sabemos disso. Queremos apenas acreditar que existe algo puro e bonito, e nos apegar a isso, tentando sempre alcançar o impossível.
Sei que pode parecer cruel, mas é no que eu acredito. E até hoje, não houve ninguém capaz de me fazer mudar de ideia.”
Feliz Natal!
Há 15 anos


